os móveis primeiros do tradutor, que seja também poeta ou prosador, são a configuração de uma tradição ativa (daí não ser indiferente a escolha do texto a traduzir, mas sempre extremadamente reveladora), um exercício de intelecção e, a través dêle, uma operação de crítica ao vivo... ...o original é quem serve de certo modo à tradução, no momento em que a desonera da tarefa de transportar o conteúdo inessencial da mensagem […] e permite-lhe dedicarse a uma outra empresa de fidelidade, esta subversiva do pacto rasamente conteudístico: Treue in der Wiedergabe der Form, a «fidelidade à re-produção da forma», que arruína aquela outra, ingênua e de primeiro impulso, estigmatizada por W.B. com o traço distintivo a má tradução: «transmissão inexata de um conteúdo inessencial» (eine ungenaue Uebermittlung eines unwesentlichen Inhalts)
Haroldo de Campos